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Não sou super, sou fraco.

“Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.” 2 Cor 12:10

Uma das coisas que mais me atormenta neste tempo é a ideia que se criou em torno da liderança cristã atual. Não sei se por auto-suficiência dos líderes ou pela dependência sacerdotal dos membros, mas vivemos num tempo onde nossos líderes não podem expressar suas fraquezas, necessidades, tristezas, basicamente porque no modelo evangélico atual isso seria quase que cavar a sua própria cova ministerial.
O grande problema com essa situação é que alguns líderes estão tão pressionados ministerialmente, pensando  em desistir e largar tudo, mas não encontram espaço dentro de suas comunidades para expressarem seus sentimentos.

Tenho lidado com missionários os últimos 10 anos e sei muito bem que muitos deles já sentiram vontade em determinados momentos desistir de tudo, deixar seus ministérios para voltarem a uma “vida normal”. Eu mesmo já passei por vários momentos assim.
O apóstolo Paulo em 2 Coríntios não tem vergonha nenhuma em assumir suas dificuldades ao longo do seu ministério, ele entende que, se há algo que ele deva se orgulhar é exatamente “nas coisas que mostram suas fraquezas” (2Cor 11.30). Ele sabe que assumir as suas fraquezas, necessidades, e tudo mais ao que ele era exposto o ajudavam a lembrar que não havia nada nele mesmo que o poderia manter em pé. Em alguns versículos anteriores ele nos lembra que muitas das situações a nossa volta são inclusive situações permitidas por Deus para nos lembrar que somente a graça de Cristo nos basta, e é por ela que somos aperfeiçoados.
Ora se Deus age em nossa fraqueza, porque devemos então renega-la? Se é nas perseguições , insultos e necessidades que Deus se mostra presente em nosso ministério e em nossas vidas, pronto a nós encher com seu Espírito, nos enchendo com sua força, porque devemos esconder daqueles que são liderados por nós.
Precisamos urgentemente abandonar os super-pastores, super-líderes e reconhecer como o apóstolo que não há nada em nós que nos faz especial, nada que nos torna “ungidos dos senhor” dando-nos uma espiritualidade acima de qualquer coisa.
Somos homens, somos mulheres, absolutamente cheios de neuras, preocupações, medos e é exatamente por conta disso que Deus pode operar através de nós, porque quando reconhecemos nossa incapacidade, reconhecemos ao mesmo tempo que só pela graça de Deus através de seu espírito que podemos servir a igreja, aos nossos irmãos, ao Reino!

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